* O valor intrínseco do indivíduo, composto pelo seu caráter e personalidade é facilmente substituído pela beleza perecível, passageira, aquela que inevitavelmente se desgasta com a ação do tempo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

País rico é país alfabetizado - A saga do desemprego





Na atual conjuntura da economia brasileira destaca-se a robustez para superar as inúmeras crises que foram deflagradas ao redor do mundo, especialmente nos Estados Unidos e em grande parte da Europa. Cada vez mais a população adquire o tão desejado poder de compra e alimenta um ciclo de estabilidade que ajuda a reduzir as profundas diferenças de classes que assolam o país. Por outro lado, é importante frisar que a economia não atingiu o patamar ideal porque falta uma peça chave nesse quebra-cabeça: a redução dos índices de desemprego.

É sabido que o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, independente das melhorias significativas dos últimos 10 anos. Avançamos consideravelmente na maioria dos indicadores sociais, mas o travamento provocado pelo desemprego impede que o país venha a consolidar um tempo de prosperidade capitaneado por trabalhadores plenamente ativos, contribuintes e com a qualificação almejada pelos empregadores. 

O problema da qualificação está diretamente relacionado aos padrões de evasão escolar e ao baixo índice de alfabetização. Grande parte das crianças pulam etapas que seriam fundamentais para a formação de adultos economicamente ativos. Nos rincões do país faltam creches, escolas, professores capacitados (porque também não tiveram essa base) e pessimamente remunerados. A junção desses fatores contribui para a manutenção do quadro atual onde se busca a redução do desemprego, mas os cidadãos não possuem a base educacional necessária para a conquista de um espaço no mercado de trabalho. 

Os investimentos em programas de transferência de renda já mostraram que são capazes de fortalecer a economia interna e proteger a nação das crises econômicas de proporções globais que teimam em se repetir nos últimos anos. Mas o Brasil precisa investir na base da cadeia produtiva. Educar os seus cidadãos, investir na formação técnica e nas universidades. Ações isoladas, como o repasse do Bolsa Família, não são suficientes e apenas amenizam o problema. Para entrar definitivamente na rota do progresso econômico-social faz-se necessário inverter a pirâmide dos investimentos. Os adultos precisam do alimento na mesa, mas precisam conquistar esse direito estando devidamente inseridos na cadeia produtiva nacional. Quanto menor for o índice de evasão escolar, maiores serão as chances de redução das taxas alarmantes de desemprego.

quinta-feira, 22 de março de 2012



As eleições municipais estão se aproximando, mas ainda não é possível fazer uma avaliação minuciosa do processo já que os partidos que compõe o chamado bloco de oposição (DEM, PSDB E PMDB) ainda não definiram as suas candidaturas. Nos bastidores do cenário político local o nome que circula com mais força é o do radialista Mário Kertész, que estaria finalizando os entendimentos dentro do partido (PMDB) para buscar unanimidade em torno da sua candidatura. A confirmação do ex-prefeito de Salvador e mandatário de um dos conglomerados de mídia mais populares da cidade (rádio, jornal e site da Metrópole) é quase certa, uma vez que mensagens com teor político já estão sendo veiculadas numa espécie de aquecimento para a convenção que confirmará a candidatura de Kertész nas eleições de outubro.

Já entre PSDB e DEM os entendimentos estão longe de acabar. Apesar de os partidos buscarem a chamada candidatura única, os prováveis candidatos brigam pela fatia maior desse bolo. Há quem diga que as legendas buscam unificar dois nomes, sendo que um deles entraria como vice na chapa. E talvez seja esse o principal entrave da negociação. Antônio Imbassahy (PSDB) comandou a cidade por dois mandatos consecutivos e apesar de não ser unanimidade na preferência da população, goza de experiência e prestígio político. Já ACM Neto (DEM), mesmo sendo detentor de votações expressivas para deputado federal, pode representar uma aposta perigosa em se considerando o alto índice de rejeição enfrentado pelo seu avô, na fase derradeira da sua trajetória política, dentro da capital baiana.

A briga anda tão acirrada que os dois candidatos buscam apoio junto às lideranças nacionais do bloco oposicionista. Faltando pouco mais de seis meses para o início da corrida eleitoral, certo mesmo são as candidaturas de Nelson Pelegrino (PT) e a de João Leão (PP) que também terão duras missões pela frente. O petista, depois de sucessivas derrotas, sabe que essa será a última oportunidade de concorrer à prefeitura de Salvador. Insistência na política pode resultar em valiosos e inesperados prêmios, mas o desgaste da legenda na esfera municipal será determinante para a escolha de outro nome daqui a quatro anos. E é notório que Pelegrino sequer consegue unanimidade dentro do próprio partido.

Por sua vez, o candidato João Leão terá missão ainda mais complicada. Precisa reverter o quadro de rejeição absoluta deixado por João Henrique, num esforço quase sobre-humano para apresentar os aspectos positivos da atual gestão. Além disso, deverá buscar a empatia do eleitor soteropolitano em torno do seu nome, que só ganhou notoriedade no malfadado projeto metroviário de Salvador. Quem não se lembra do agora provável candidato João Leão prometendo que colocaria o metrô para rodar até abril deste ano?

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012



Nos últimos anos temos assistido ao aumento significativo do índice de violência em nossa cidade e região metropolitana. A estratificação dos bairros já não serve para delinear onde exatamente as demonstrações públicas de intolerância e desrespeito às leis ocorrem com menor ou maior freqüência. Cajazeiras, Graça, Suburbana ou Campo Grande? Pergunta espinhosa já que crimes de toda a ordem se repetem nos quatro cantos da capital. A mesma imagem do crioulo armado assaltando uma delicatessen no centro-nobre da cidade se confunde com a do branco desesperançado comprando drogas no gueto.

Numa cidade onde as desigualdades sociais são mais que alarmantes a violência surge como complemento no cenário de descaso público das nossas “autoridades”. O pior é constatar que muito pouco tem sido feito para reverter esse quadro. Investimentos em educação e cultura, ainda que vislumbrando resultados em longo prazo e a revitalização do sistema prisional passam despercebidos pelo gabinete do prefeito e do governador Jaques Wagner.



A onda de violência cria uma espécie de trauma coletivo com duras repercussões na vida da população, além de aumentar a desconfiança nas instituições responsáveis pelo estabelecimento da ordem pública. Pais desacreditados formam indivíduos cada vez mais propensos a andar na contramão da civilidade e dos conceitos universais de cidadania. Assim como um aparato de segurança pública ineficiente alimenta essa perspectiva.

Sendo assim, o momento exige atitude da instituição família, diretamente responsável pela construção do caráter individual e da polícia armada, que deve cuidar para que os direitos da coletividade estejam blindados contra os instintos selvagens que teimam em nos dominar.

Cenário econômico brasileiro segue favorável

Crise financeira na Europa: quem salva quem?

Medir a capacidade de superação do Brasil diante da crise financeira internacional não é tarefa fácil. Há dois anos vimos que a bolha imobiliária culminou numa das maiores crises financeiras enfrentadas pelos EUA e atualmente a Europa vive uma situação parecida bancando pacotes bilionários para resgatar instituições semi-falidas. Mas, pode-se dizer que estamos resistindo bem às fortes turbulências externas e nos consolidamos como um dos mais preparados para superar o momento atual.

A manutenção dos investimentos em setores-chave como indústria e tecnologia tem sido determinante para a onda de otimismo que tomou conta do país. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), lançado em 2007, ainda não chegou ao seu ápice (mesmo porque tem diversas ramificações), mas demonstra a capacidade do país em criar, através de recursos próprios, alternativas para a manutenção do ciclo de desenvolvimento.

A grande dúvida agora é saber quando a economia mundial voltará a crescer. Dentre os emergentes somos, sem dúvida alguma, os mais preparados. Porém, nem por isso deixaremos essa condição da noite para o dia. A lentidão para a retomada do crescimento econômico das grandes potências deverá refletir negativamente nos mercados emergentes que seguem caminho inverso ao importarem cada vez menos e exportarem como nunca.

Ainda assim é indispensável a adoção de políticas que promovam a melhoria da distribuição de renda, investimentos em infra-estrutura e a busca constante por energias alternativas ao petróleo (o que certamente renderá altas cifras no futuro).

Amadurecemos bastante e, neste novo século, temos a oportunidade de despontar como uma das novas lideranças geopolíticas do planeta. Estudo recente de uma empresa de consultoria britânica afirma que o Brasil já se tornou a sexta maior economia do mundo e a tendência é que até o final desta década tenhamos alcançado a quarta posição no ranking. O cenário é altamente favorável, mas precisamos avançar ainda mais. O desafio está lançado!

A decadência da saúde pública no Brasil

... e no restante do país também!

O sistema de saúde pública brasileiro parece manter-se em constante estado de agonia. A falta de estrutura dos postos e hospitais disponíveis, aliada ao despreparo e à desmotivação da comunidade médica nos coloca entre os piores quando o assunto é atendimento básico de saúde. Superlotação, pacientes esparramados por corredores e macas improvisadas é uma realidade bastante comum na vida de milhões de brasileiros.

Como fator agravante o nosso povo está envelhecendo. Faz-se necessário a aplicação de políticas para suprir esta nova demanda de pacientes. A obesidade surge como uma das inúmeras doenças crônicas do novo século atingindo indivíduos adultos, mas também crianças, que se tornarão adultos enfermos e tendem a influenciar gerações futuras com os seus péssimos hábitos alimentares.

O Brasil precisará investir muito mais para manter o padrão atual de atendimento, que já não é dos melhores. Deverá voltar suas atenções para a melhoria da qualidade dos serviços prestados e atrair novas tecnologias em aparelhagem e produção de drogas.

Temos potencial suficiente para investir em tecnologias de ponta, o que nos garantirá valiosas ferramentas para o enfrentamento de muitos males presentes e futuros. Contudo, o grande problema está relacionado ao péssimo gerenciamento dos recursos destinados à saúde, deixando-nos na expectativa de um dia atender, dignamente, uma população cada vez mais adoecida e prestes a receber milhões de turistas nos dois maiores eventos esportivos do planeta.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

JH: de grata surpresa para uma enorme decepção



A eleição municipal de 2004 ficou marcada como uma das maiores derrotas sofridas pelo então senador ACM. Vitorioso nos pleitos de 94 e 98 com a candidatura do atual deputado federal Antônio Imbassahy, o cacique baiano não deu a atenção devida para as mudanças no gosto do eleitor soteropolitano, que naquela altura dos acontecimentos precisava ser reconquistado e não somente guiado pela força que a sua imagem representava. O resultado foi uma derrota acachapante, ainda que em segundo turno, para o franco atirador João Henrique que havia entrado na disputa sem o assédio dos holofotes midiáticos e a preferência da população.

As promessas de campanha do atual prefeito, naquela ocasião, destoavam do então modelo centralizador e autoritário do PFL apontando para uma gestão transparente e mais democrática. O mote “Prefeitura de Participação Popular” encantou o eleitor soteropolitano que se deixou embalar pelos anseios de mudança e afastamento da ideologia carlista. JH conseguiu se eleger pelo PDT prometendo acelerar e concluir as obras do metrô já na primeira gestão e dar continuidade às boas iniciativas adotadas pelo seu antecessor.

O problema é que ao longo dos quatro primeiros anos o prefeito não conseguiu cumprir a metade das promessas e inovou muito pouco o modo de fazer política local. Implementou sim um estilo próprio, só que muito distante do arrojo e da competência administrativa tão desejados pela população. JH foi pouco produtivo e chegou na campanha da reeleição enfraquecido, desacreditado e desgastado dentro do seu partido, o PDT.

A corrida eleitoral de 2008 teve início e o então desprestigiado João Henrique, já abraçado pelo todo poderoso PMDB, registrou um novo grande feito ao reverter um quadro de rejeição bastante acentuado. Investimentos vultosos em propaganda e marketing político, aliados ao extenso tempo de exposição na TV mudou de forma significativa o cenário e o reelegeu como prefeito da terceira maior capital do país.

Passados sete anos e perto de ceder o assento do Palácio Tomé de Souza ao seu sucessor o prefeito vive um dos piores momentos da sua trajetória política. Bastante cobrado pelas promessas não cumpridas e por escândalos sobre a sua vida conjugal, JH não colocou em prática o projeto das mini-prefeituras, retirou grande parte dos amarelinhos de circulação (micro-ônibus de integração dentro dos bairros) , ainda não conseguiu colocar o metrô para rodar, abandonou o Pelourinho, o Elevador Lacerda e as estações de transbordo, não consegue manter a cidade limpa e organizada, enfim, passou de grata surpresa para uma enorme decepção.

Assim como o seu pai, o agora senador João Durval Carneiro, ele promete voltar nos braços do povo. Deixou nas entrelinhas a promessa de se tornar o futuro governador da Bahia, mesmo com a quase absoluta rejeição do seu trabalho à frente da prefeitura. Cinicamente, passou a veicular o jingle “dá pra ver” e posso garantir que muitos eleitores insatisfeitos repensaram a sua opinião e vibram no sofá da sala ao ouví-lo. Dessa forma, até eu devo concordar que não é impossível para JH garantir num futuro próximo o seu assento no Palácio de Ondina. Quem viver verá!

Disputa eleitoral de 2012 começa a ganhar forma


O cenário político para as eleições municipais de 2012 começou a ser desenhado. Partidos que compõe o bloco oposicionista buscam entendimentos para definir as suas candidaturas e planejar possíveis alinhamentos em caso de disputa em segundo turno. O PMDB, legenda que garantiu a reeleição do atual prefeito no apagar das luzes, não nega mas também não confirma o nome do radialista Mário Kertész como candidato ao assento no Palácio Tomé de Souza. PSDB e DEM podem optar por candidatura única, mas existe a possibilidade do ex-prefeito Antônio Imbassahy e do eterno candidato ACM Neto defender respectivamente cada uma delas. O PT, que deve contar com apoio mais incisivo do governador Jaques Wagner já definiu a candidatura do também deputado federal Nelson Pelegrino, que tem sofrido sucessivas derrotas nas últimas eleições. No entanto, o governador disse que pode optar pelo apoio conjunto ao PMDB (principal aliado do governo federal) e ao PT, partido que sempre defendeu e que foi um dos seus fundadores.

A briga inicial deve se concentrar entre PMDB, PT E DEM (caso Neto seja mesmo candidato), sendo que os dois primeiros chegarão com uma linha de ataque e defesa mais sólida se houver segundo turno; isso porque provavelmente eles somarão forças. O DEM deverá contar com o apoio do PSDB e tem como principal trunfo o nome de um dos deputados federais com a melhor média de votos das últimas eleições e que carrega uma marca que ainda não foi totalmente extinta na preferência dos soteropolitanos.

A única certeza é que o candidato que for apoiado pelo atual prefeito não terá vida fácil. A administração do município vive um dos mais altos índices de rejeição já auferidos, como apontou uma pesquisa encomendada pelo Ibope. A avaliação do prefeito foi altamente negativa ficando em último lugar numa comparação com oito capitais (veja aqui: http://terratv.terra.com.br/videos/Noticias/Brasil/4194-395003/Pesquisa-avalia-trabalho-de-prefeitos-em-9-capitais-do-Pais.htm).

Não por acaso, o PP (partido do prefeito) sequer definiu os rumos que deverá trilhar na corrida eleitoral deste ano. Assim como JH, está mais perdido do que cego em tiroteio.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Futebol feminino: Dinamarca vence Brasil e obtém vantagem para a final

Dinamarquesas comemoram o gol
Na noite desta quinta-feira, 15, a seleção de futebol feminino da Dinamarca venceu o Brasil por 1 a 0 e joga pelo empate na final de domingo, 18, em partida válida pelo Torneio Internacional Cidade de São Paulo. O gol das dinamarquesas foi marcado pela camisa 7, Sanne, aos 31 minutos do segundo tempo. A seleção brasileira sentiu o gol e não conseguiu reagir nos minutos restantes.

O torneio é uma espécie de laboratório para as Olimpíadas de Londres no ano que vem. Derrotas como essa servem de alerta já que as meninas do Brasil não têm apresentado um bom futebol e precisam melhorar bastante se quiserem conquistar o ouro na terra da Rainha Elizabeth.

Do lado dinamarquês é só comemoração. Com um terço da responsabilidade que o Brasil tem de disputar e ganhar campeonatos, as nórdicas entram como favoritas no jogo de domingo e tentam se consolidar como uma das potências do futebol feminino mundial ao lado de Brasil, EUA, Canadá e Itália.

As brazucas precisam vencer para reverter a vantagem dinamarquesa. A partida ocorrerá às 17h no estádio do Pacaembu (SP) e os organizadores esperam um bom público para a grande final.

Ano novo e ATITUDE renovada dentro e fora de campo


O torcedor do Vitória certamente não guarda boas recordações das últimas duas temporadas disputadas pelo clube. Em 2010, apesar de ter mantido a hegemonia estadual, sagrando-se tetra-campeão baiano, perdeu o título da Copa Do Brasil em pleno Barradão e foi rebaixado para a segunda divisão do futebol brasileiro. Em 2011, conseguiu ser eliminado pelo “tradicionalíssimo” Botafogo da Paraíba na Copa do Brasil, perdeu o Baiano para o seu mais novo maior rival, Bahia de Feira e entregou de bandeja o retorno à Série A ao Sport – RE.

O pequeno resumo acima serviu apenas para destacar a onda de desastres que tem acometido o nosso saudoso Leão. Mas o objetivo principal desse texto é questionar a parcela de culpa que cabe também ao torcedor rubro-negro pelos insucessos dentro de campo. O nosso comportamento tem sido omisso do ponto de vista “político”. Inúmeras comparações podem ser feitas sobre a atuação incisiva de torcedores para cobrar melhores resultados dentro do gramado. As organizadas de Palmeiras e Corinthians são um “bom exemplo” disso, excetuando-se, é lógico, o padrão de violência que também lhes é peculiar. Se bem que não existe referência mais atual do que a torcida do próprio Sport – RE, um dos concorrentes direto este ano e “ladrão” da última vaga que manteve o Vitória na série B. Restando quatro rodadas para o final do campeonato um grupo de torcedores exagerou na dose ao apedrejar o ônibus do clube e ameaçar jogadores e dirigentes, mas conseguiu provocar um valioso efeito colateral que mexeu com o brio dos jogadores. A partir daí, o rubro-negro pernambucano reagiu e venceu quatro partidas seguidas, conquistando o tão sonhado acesso.


Que o ano de 2012 nos traga melhores resultados e a conquista do acesso à Série A do futebol brasileiro. Um clube com dois milhões de torcedores não pode ser relegado à condição de coadjuvante. Espero que a cartolagem “honesta” que dirige o nosso clube erre menos e entenda de uma vez por todas que futebol é paixão e bola na rede. Do que adianta torcer para um time de futebol “equilibrado financeiramente” e cheio de certidões negativas mas que consegue perder jogos em casa para uma platéia de 40 mil expectadores?

Em tempo: a “síndrome do entrega” que tem acometido o time profissional estendeu-se para os meninos do SUB-20. Na tarde de hoje, numa partida válida pelo campeonato brasileiro da categoria, a garotada vencia o jogo por 1x0 até a metade do segundo tempo, mas permitiu a virada em INACREDITÁVEIS quatro minutos. Espero que Alexi “honesto” Portela tenha agendado uma ida à colina sagrada ainda este ano.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Gigante pela própria natureza



Há algumas semanas a empresa escocesa Johnnie Walker, fabricante de uma das marcas de uísques mais famosas do mundo lançou uma campanha que tem causado muito burburinho. Um gigante adormecido que desperta e caminha a passos firmes pelas ruas da capital carioca.

A primeira impressão que tive aponta para o que parece ser o “mais óbvio”: uma bela sacada de marketing, aliada a um propósito político muito bem elaborado. Para entusiastas da governabilidade petista ou não é difícil negar que o país tem conquistado avanços significativos nas três últimas décadas. Sim, digo isso porque tenho sobriedade suficiente para reconhecer que o “sucesso” econômico que desfrutamos hoje teve sua origem na gestão tucana de FHC e devemos muito à herança que nos foi deixada. Ao PT, prefiro creditar as políticas sociais implantadas e por ter mostrado maturidade política ao manter o modelo econômico do seu antecessor. Enfim, palmas para os dois.

Voltando à campanha comercial penso que seja uma clara menção a tudo isso que foi dito no parágrafo anterior. Muitos líderes políticos do passado e do presente costumam fazer menção ao Brasil como um gigante adormecido que cedo ou tarde despertará. De fato, nosso país possui inúmeras potencialidades. Dos fatores climáticos e de posição geográfica aos de natureza econômica e social, nós podemos muito. Obviamente, muito mais do que somos hoje.

O que nos falta é gestão responsável e menos corrupção. Ativa, passiva, privada e principalmente pública. Uma profunda e duradoura mudança de postura dos políticos que governam essa pátria de dimensões continentais e também da população. População essa que reclama constantemente da politicagem, mas que peca ao não exigir disciplina e freqüência escolar dos seus filhos pródigos; afinal de contas, com uma boa base educacional eles podem SER os NOSSOS políticos COMPROMETIDOS do futuro.

Confesso que nem de uísque eu gosto. Aliás, adoraria exaltar peças publicitárias de empresas essencialmente nacionais, como uma fabricante de cachaça, por exemplo, que é uma das inúmeras identidades que possuímos. Infelizmente, AINDA não é o caso. Porém, não posso deixar de parabenizar a “generosidade” da JW mesmo sabendo que muito disso se deve aos constantes recordes de vendas conquistados em nosso país.

Como tudo na vida, é só mais uma mão dupla.

Em tempo: a superprodução contou com 420 profissionais, duas toneladas de equipamentos, 216 figurantes e mais de 12 mil horas de trabalho em computação gráfica.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Operação integrada prende um dos traficantes mais procurados do país

Menos um...


Uma mega operação envolvendo a Polícia Militar do Rio de Janeiro e a Polícia Federal culminou na prisão do traficante conhecido como “Nem da Rocinha”, na madrugada de ontem. O homem que chefiava o tráfico numa das maiores favelas da América Latina foi preso dentro do porta-malas de um veículo de luxo quando tentava fugir por conta da ocupação já anunciada para o fim de semana. A Secretaria de Segurança Pública vai implantar mais uma base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) nesta localidade.

O criminoso comandava o tráfico na favela da Rocinha há aproximadamente 10 anos. Foi responsável por uma série de eventos aterrorizantes ocorridos na cidade. Ano passado, esteve num intenso tiroteio dentro de uma avenida movimentada da capital carioca e foi notícia também quando a polícia descobriu a mansão onde morava em meio à pobreza latente do morro.

Os policiais que participaram da operação afirmaram que Nem e seus comparsas chegaram a oferecer propina de 1 milhão de reais em troca da liberdade. Graças à honestidade e honradez desses agentes a oferta foi negada e mais uma frente do poder paralelo deve ser enfraquecida. Obviamente, a prisão do traficante vai nutrir os setores de investigação com informações valiosas para que novas incursões sejam feitas a fim de garantir o recolhimento de armas, a identificação de mais criminosos e o desbaratamento de depósitos que fazem o preparo das drogas. Foi, sem dúvida, uma grande vitória.

A expectativa é de que novas batalhas contra o crime sejam vencidas. A ocupação da favela da Rocinha tende a melhorar o acesso da população aos serviços públicos de saúde, educação e lazer, além de garantir a segurança. É preciso frisar mais uma vez a importância de uma aproximação sadia entre a polícia e os cidadãos. Assim como Nem, outros traficantes criaram sabiamente uma falsa identidade com os moradores em troca do silêncio e da imposição das suas atividades. O Estado precisa retomar o seu espaço para que a criminalidade não fortaleça ainda mais o poder paralelo fazendo crescer a sensação de insegurança e impunidade que tomou conta das grandes cidades brasileiras.

PS- Não adianta também prender esses caras e permitir que eles continuem comandando o tráfico de dentro da prisão. Não é novidade que mesmo nos ditos “presídios de segurança máxima” há registros de movimentação para garantir a manutenção das atividades criminosas para além dos seus muros. Essa torneira também precisa ser fechada para que o córrego do tráfico possa secar definitivamente.

A dança dos ministros parece não ter fim


Otimismo à parte, Lupi está na berlinda

Após a queda de cinco ministros do seu governo por suspeitas de corrupção a presidenta Dilma Roussef terá de gerenciar uma nova crise. A bola da vez é o Ministério do Trabalho, que tem a pasta chefiada por Carlos Lupi, do PDT. Mais uma vez denúncias deflagradas pela revista Veja dão conta de um esquema para cobrança de propina entre ONGs e o ministério, culminando na surpreendente cifra de R$ 41 milhões de reais. O cerne da questão é o favorecimento a essas ONGs para a assinatura de convênios destinados à capacitação profissional.

Assim como o ex-ministro dos esportes, Orlando Silva, Carlos Lupi segue a cartilha e nega todas as informações. De cara, demitiu o seu assessor e coordenador geral de Qualificação (que é um dos desmembramentos de projetos ligados à promoção do emprego) e garantiu que ao final das investigações sairá ileso da crise. Aliás, Lupi tem utilizado um tom sarcástico perante o bombardeio comandado pela oposição e dentro do próprio partido. Foi irônico ao afirmar que só sairia do cargo se fosse abatido por arma de fogo e quando questionado se seria a bola da vez na dança dos ministros, respondeu no mesmo tom: “só se for bola sete, a bola da vitória”.

Apesar de esbanjar tanto otimismo o ainda ministro do trabalho sabe que a batalha está apenas do começo. O primeiro grande passo será resistir à pressão da mídia e dos partidos opositores, sedentos por mais uma sangria dentro do governo. Ele provavelmente será chamado a depor uma dezena de vezes e dificilmente conseguirá se sustentar no cargo até o final das investigações; afinal de contas, a merda já foi jogada no ventilador.

A desconfiança dentro da pasta tende a aumentar quando relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) apontam irregularidades em diversos contratos assinados pelo ministério. Ou seja, outra frente de ataque.  Tudo indica que Carlos Lupi não será alvejado por armas de fogo, como o próprio chegou a sugerir. Mas, para evitar a queda, precisa incrementar a blindagem para resistir ao bombardeio moral que se anuncia.

Vamos aguardar!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Lá se vai mais um: Orlando Silva renuncia ao cargo

A reza não foi suficiente
Na tarde desta quarta-feira, 25 de outubro, mais um ministro do governo Dilma Roussef renunciou ao cargo. Como já havia relatado em postagem anterior o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, não resistiu às denúncias deflagradas pelo ex-militante do PC do B, João Dias, sobre desvios de dinheiro do programa Segundo Tempo. Desde que as primeiras acusações foram detonadas pela revista Veja Silva lutou para manter-se no cargo, mas sofreu o seu maior revés quando o Superior Tribunal Federal decidiu pela abertura de inquérito. Essa foi a gota d’água para a oposição que estrategicamente engrossou o tom do discurso tornando a situação do então ministro insustentável.

Concomitante à abertura do inquérito espera-se que o policial João Dias apresente provas sólidas e concretas que contribua de forma efetiva para a elucidação do caso. Mesmo afirmando que o ex-ministro participava e tinha pleno conhecimento do esquema Dias não conseguiu, por intermédio de comprovações materiais e irrevogáveis, determinar o seu envolvimento. Dito pelo não dito poderemos ter mais um escândalo de corrupção que terminará em pizza.

A questão agora é saber até que ponto a renúncia de Orlando Silva afetará o gerenciamento das tratativas sobre a Copa 2014, já que ele próprio era o principal porta-voz do governo para mediar esses assuntos com a FIFA. Vale ressaltar também que os atrasos são eminentes em todas as cidades-sede, em maior ou menor proporção, e que uma transição como esta pode comprometer ainda mais o planejamento.

É vergonhoso para o nosso país o histórico de falcatruas que se sucedem sem que nada seja feito para mudar esse triste quadro. A reforma política nunca deixou de ser uma pauta importante, mas sequer é discutida seriamente pelos políticos que transitam soberbamente pelo Congresso Nacional. Fazem isso porque carregam no antro dos seus cargos uma marca forte e indelével: o voto de confiança dado pela população, esses mesmos eleitores que hoje clamam por justiça insistem em colocar o poder nas mãos de pessoas que são, na mesma medida, desonestas e incapacitadas.

Orlando Silva não foi o primeiro e nem será o último. As investigações ainda estão em fase preliminar, mas com a renúncia, ele se juntou ao seleto time de ministros afastados por suspeita de corrupção. Nessa ordem: Antônio Palocci, da Casa Civil; Alfredo Nascimento, dos Transportes; Vagner Rossi, da Agricultura; e Pedro Novais, do Turismo.

Atenção presidenta Dilma! “Presunção de inocência” para político brasileiro é utopia. Onde há fumaça, há fogo.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Enterro de Kadhafi abre caminho para uma nova batalha

Levante popular triunfa na Líbia

O último capítulo da tirania do ditador Muammar Kadhafi foi assinado hoje. O ex- Chefe de Estado líbio foi capturado e morto na semana passada e enterrado em local secreto em meio ao deserto do seu país. Mesmo com toda a riqueza adquirida de forma sombria ao longo dos 42 anos que ficou no poder informações dão conta de que ele estava escondido numa tubulação de esgoto da sua cidade natal, Sirte.

O líder deposto havia fugido de Trípoli desde que as forças do governo interino assumiram o controle da capital. Na verdade, antes mesmo de tomar o QG do ditador, a revolta civil no país já havia controlado outras cidades menores de forma estratégica até partir para o enfrentamento final. Foram meses de terror com muito derramamento de sangue, bombardeios das forças de coalizão e um balanço de aproximadamente oito mil mortos.

Mesmo com os efeitos colaterais assustadores a população local comemorava a cada avanço dos combatentes. Assim como ocorreu na Tunísia e no Egito, os manifestantes lutaram por um país livre, democrático e que passasse a respeitar as convenções primordiais dos direitos humanos. Algo que passou distante do “modus operandi” de Kadhafi e sua trupe, isso sem falar da corrupção latente em todos os setores do governo.

A morte do tirano pôs fim à parte trágica e mais dolorosa da história dos libaneses. Mas a verdadeira batalha começa agora, a batalha pela reconstrução do país. Apesar da euforia no território líbio e de parte da imprensa internacional é preciso salientar que os processos de transição costumam levar anos, às vezes décadas e não em poucas oportunidades sequer acontecem. Tivemos exemplos claros dessa realidade em uma dezena de países africanos e mais recentemente com o Iraque e o Afeganistão. Saddam Russein e Osama Bin Laden deixaram o poder, mas nem por isso essas nações entraram de forma definitiva na rota do progresso. Aliás, ainda hoje, estão muito distantes disso.

Estamos falando de uma transição brusca; da tirania e do controle ferrenho para um sonho de liberdade e igualdade de direitos para todos os cidadãos. São dois extremos, infinitamente distintos, o que nos leva a crer que a verdadeira batalha ainda está por vir.

A mídia festeja: mais um ministro na berlinda


Orlando Silva - Ministro dos Esportes

A revista Veja publicou uma reportagem denunciando um suposto esquema de corrupção envolvendo a alta cúpula do Ministério dos Esportes na gestão do programa Segundo Tempo. A ponta deste iceberg dá conta de um desvio de 40 milhões de reais dos cofres do referido programa que visa à promoção da prática esportiva em comunidades carentes de todo o país. O alvo principal das denúncias foi o chefe da pasta, o ministro Orlando Silva, que seria um dos mentores e principais beneficiados do esquema.

As acusações partiram do policial militar João Dias, o mesmo que responde a uma série de processos por desvio de dinheiro oriundo de convênios assinados com o próprio ministério e que deveria ser destinado ao programa Segundo Tempo. É importante frisar que Dias foi militante do PC do B, partido atual do ministro. Como já era de se esperar o assunto foi ganhando notoriedade na mídia sem que o acusador leva-se a público as provas das irregularidades que tinha apontado. O programa Fantástico, por exemplo, destinou longos e intermináveis minutos para propagar a denúncia e incutir no imaginário do povo brasileiro a existência de mais um escândalo protagonizado pelo governo do PT.

Foi aí que no dia de hoje, 24 de outubro, tomei nota que o policial finalmente depôs na Polícia Federal desmentindo quase tudo que tinha falado e praticamente isentou o ministro de envolvimento direto nas maracutaias do programa.

As investigações ainda não terminaram, pelo contrário, estão apenas no começo. Mas gostaria de externar a minha indignação com esta imprensa tupiniquim e retrógrada que finge pairar acima do bem e da verdade, sem que passe de um conglomerado todo poderoso e sedento em defender os seus interesses sombrios a qualquer custo. Somente no Brasil o acusado tem de se desdobrar para justificar sua inocência, ainda que o denunciante tenha sequer apresentado comprovações daquilo que disse. No final temos esse tremendo papelão que foi o depoimento do não menos suspeito e nada idôneo policial militar recuando frente à repercussão do caso. Enquanto todos pregavam um caça às bruxas e a conseqüente demissão de Orlando Silva, Dilma fez uma rápida reunião para confirmar a sua manutenção no cargo até que tudo seja apurado.

Como brasileiro estou cansado de tantos factóides e das tentativas frustradas da revista Veja e da Rede Globo de Televisão em arranhar a imagem do governo a qualquer custo. Não tenho procuração alguma para defender a trupe de políticos que comanda o nosso país e tampouco sou adepto de ideologias partidárias. Aliás, lembro perfeitamente que quatro ministros deste mesmo governo foram afastados por envolvimento em falcatruas; trocando em miúdos: de santinhos com rabo e tridente o inferno e o Congresso Nacional estão cheios.

Só não me venham com “fabricação de notícias”, pois prefiro aguardar cenas do próximo capítulo.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Dinamarca elimina Portugal na apuração para a Euro 2012


Confira os gols deste jogo

Numa partida eletrizante no Parken Stadium, em Copenhagen, a Dinamarca venceu Portugal pelo placar de 2 x 1 e garantiu vaga na Eurocopa 2012. A equipe da casa, campeã européia em 1992, superou os portugueses com um futebol taticamente disciplinado e jogadas de contra-ataque insinuantes que resultou, inclusive, no segundo gol marcado por Nicklas Bendtner.



Pré-jogo – Nos dias que antecederam a partida, muito se falou sobre o favoritismo de Portugal devido à qualidade técnica de seus jogadores, especialmente do craque Cristiano Ronaldo e do avançado Nani. A seleção portuguesa vinha de cinco triunfos consecutivos na fase classificatória da Euro e contava com a inspiração e autoconfiança do seu treinador Paulo Bento. O comandante, aliás, abusou da modéstia ao afirmar que venceria a Dinamarca, mantendo o padrão de jogo implementado por ele na seqüência histórica de triunfos.


O problema é que os jogadores dinamarqueses demonstraram uma disposição tática invejável a qualquer grande equipe do futebol mundial e tiveram apoio maciço da torcida. Jogaram com inteligência, frieza e souberam matar a partida no momento certo. De quebra, igualaram o feito de dois anos atrás, quando também fizeram os portugueses disputar a repescagem para a Copa do Mundo 2010.

                 

Portugueses saem cabisbaixos ao final da partida                       Cristiano Ronaldo: muita "marra" e pouco futebol


Em tempo de compensação vale destacar o belíssimo gol de falta marcado por Cristiano Ronaldo (confira no vídeo), o R7 do futebol mundial. No mais, festa em Copenhagen e felicidade para um torcedor brasileiro que vibrou com a envolvente exibição dos nórdicos.


Demais classificados      Além da Dinamarca garantiram vaga na segunda fase da Euro 2012 a Alemanha, Itália, Espanha, Holanda, Inglaterra, França, Rússia, Grécia  e Suécia, restando agora mais 4 vagas a serem preenchidas após a disputa da respecagem. Polônia e Ucrânia qualificaram-se automaticamente por serem os países que sediarão o evento.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A gente não quer só polícia



A Secretaria de Segurança Pública da Bahia inaugurou na manhã de ontem (27 de setembro) mais três Bases Comunitárias de Segurança em Salvador. Desta feita, toda a região que compreende o Nordeste de Amaralina e adjacências foi contemplada.

A primeira base comunitária da capital baiana foi instalada no bairro do Calabar, em abril deste ano, para combater os altos índices de violência e a falta de acesso dos seus moradores aos serviços essenciais de saúde, educação e lazer. Alguns meses após a sua instalação pode-se afirmar que houve uma queda considerável das ocorrências policiais, mas muito do que se prometeu sobre propiciar uma melhor qualidade de vida à população local não saiu do papel.

O problema é que os chamados bairros periféricos não sofrem apenas com a falta de segurança. Serviços básicos, porém essenciais, como iluminação, redes de esgotamento sanitário, creches, escolas, postos de saúde e espaços públicos de lazer são altamente deficitários, criando uma imensa lacuna social, independente da melhoria significativa da segurança.

A instalação das UPP´S (Unidades de Polícia Pacificadora) no Rio de Janeiro confirma essa tendência. Estudos comprovam que a pacificação foi conquistada em maior ou menor índice nas localidades contempladas, mas a aplicação de políticas públicas que promovam a garantia dos direitos humanos e a mobilização do Estado para atender todas as vertentes sociais ainda não virou realidade.



A população carente de Salvador, assim como a dos morros e favelas cariocas, não precisa de “polícia” na acepção mais simplista da palavra. Precisa de uma corporação que saiba lidar com as diferenças, respeite a autonomia e a cultura local, não use da opressão para instituir poder e que seja uma espécie de associação de moradores preocupada com o bem-estar em sua totalidade.

Ainda assim, nada nos impede de comemorar mais uma iniciativa que promete restabelecer a paz numa das regiões mais violentas da cidade.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

FIFA ameaça tirar Mundial de 2014 do Brasil

 

Não é mais boato. A FIFA estaria sim disposta a cancelar a realização da Copa do Mundo no Brasil devido a divergências com o governo federal. Ainda é cedo para avaliar as reais possibilidades de isso acontecer, mas caso não haja um entendimento o evento poderia ser sediado nos EUA ou na própria Alemanha que correspondeu positivamente a todas as expectativas em 2006.

Segundo informações do jornal Folha de São Paulo o presidente da entidade máxima do futebol, Joseph Blatter (foto), enviou uma carta de ultimato à presidenta Dilma Roussef, solicitando que o país acelerasse as obras nos estádios e que enviasse para o congresso a Lei Geral da Copa. Um dos entraves é a definição sobre a venda de meia-entrada para idosos, que consta inclusive no Estatuto do Torcedor, algo que a FIFA já havia vetado em eventos anteriores e quer repetir a conduta no Brasil. Outras questões ligadas à publicidade nos estádios e ao comércio como um todo também seguem sem definição.

Difícil acreditar na suspensão da Copa em nosso país, o que denotaria uma tremenda falta de organização de todas as partes envolvidas, mas devemos reconhecer que muita coisa precisa ser feita e estamos tocando as exigências da FIFA em ritmo desacelerado. Por outro lado, penso que o Brasil não deve ceder às pressões e ir de encontro, inclusive, com algumas premissas básicas que por lei regem o nosso futebol. Agora, sem dúvida alguma, devemos rever todos os prazos, repensar alguns projetos, colocá-los em prática e arregaçar as mangas para receber milhões de turistas que nos visitarão em 2014. Assim como a África do Sul foi capaz de sediar o evento, nós também somos. Só precisamos acreditar nisso!

Não acredite em tudo o que lê e ouve



1º  Reparem os títulos dos jornais O Globo e Folha de São Paulo, datados de 13 de janeiro de 2008, referentes à reabertura do Museu de Arte de São Paulo (Masp):

* O Globo: "Masp reabre com mais polícia do que público".

* Folha de São Paulo: "Na reabertura do Masp, sobra público e falta segurança".

Dois veículos e o mesmo fato. Porque a discrepância?

2º  Por que a atividade jornalística é tida como de natureza social e finalidade pública se é mantida exclusivamente por empresas privadas? Talvez para vender a noção de isenção, objetividade e imparcialidade. Acredite quem quiser!

Aborto. Reprimir ou legalizar?



Na última corrida presidencial o tema aborto foi alçado a papel de destaque pelos candidatos. Muito se questionou acerca da descriminalização da prática no país, mas não avançamos muito nesse sentido. A discussão serviu apenas para apimentar os embates porque as estatísticas de mortes provocadas pelos procedimentos clandestinos não param de crescer. Uma temeridade!

No centro da polêmica está a Igreja Católica e os seus dogmas religiosos. O Brasil é a pátria com o maior contingente de católicos do mundo e tanto a população quanto as autoridades públicas tomam esses dogmas como norte para se posicionar sobre o debate. Recentemente, o Papa Bento XVI voltou a afirmar que é contrário à descriminalização ignorando a liberdade de consciência propagada pela entidade que dirige e um sem número de vidas ceifadas em consultório ilegais.


Em contrapartida os religiosos conservadores acreditam que se a lei de descriminalização for aprovada haverá uma corrida desenfreada de mulheres para os hospitais, uma espécie de “indústria da morte” bancada pelo Estado e com total anuência da igreja. Daí se explica o posicionamento contrário.


O problema é que mesmo sem a existência de uma lei específica milhões de mulheres brasileiras perdem suas vidas ao adotar a prática pelas vias da clandestinidade. Independentemente da questão religiosa devemos priorizar a educação sexual, os métodos contraceptivos e a preservação da vida, que é, sem dúvida alguma, o maior expoente de toda a discussão. A propósito, a contracepção também é duramente criticada pela Igreja.

Penso que vivemos um retrocesso dos direitos conquistados pelas mulheres ao longo dos séculos. Temos de levar em consideração situações extremas de gravidez indesejada, como o estupro, por exemplo. Quem se posicionaria contra o aborto se tivesse um parente próximo vítima de tal agressão? A hipocrisia não pode servir como plano de fundo, mas reconheço que também não tenho uma opinião sólida e definida a respeito. Prefiro ficar com os defensores da educação sexual e dos métodos contraceptivos em “condições normais” de gravidez, mas sou terminantemente contrário à repressão nos casos de violência sexual.