
Nos últimos anos temos assistido a um aumento significativo do índice de violência em nossa cidade. A estratificação dos bairros já não serve para delinear onde exatamente as demonstrações públicas de intolerância e desrespeito às leis ocorrem com menor ou maior freqüência; Cajazeiras, Graça, Suburbana ou Campo Grande? Pergunta espinhosa já que crimes de toda ordem se repetem nos quatro cantos da capital. A mesma imagem do crioulo armado assaltando uma delicatassen no centro-nobre da cidade, se confunde com a do branco desesperançado comprando drogas no gueto.
Numa cidade onde as desigualdades sociais são mais que alarmantes, a violência surge como complemento no pacotão de descaso público das nossas “autoridades”. O pior é constatar que muito pouco tem sido feito para reverter esse quadro. Investimentos em educação e cultura, ainda que vislumbrando resultados em longo prazo, e a revitalização do sistema prisional, passam despercebidos pelo gabinete do prefeito e de seus pares na Câmara Municipal.
A onda de violência cria uma espécie de trauma coletivo, com duras repercussões na vida da população, além de aumentar a desconfiança nas instituições responsáveis pelo estabelecimento da ordem pública. Pais desacreditados formam indivíduos cada vez mais propensos a andar na contramão da civilidade e dos conceitos universais de cidadania. Assim como um aparato de segurança pública ineficiente alimenta essa perspectiva.
Sendo assim, o momento exige atitude da instituição família, diretamente responsável pela construção do caráter individual, e da polícia armada, que deve cuidar para que os direitos da coletividade estejam blindados contra os instintos selvagens que teimam em nos dominar.
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