* O valor intrínseco do indivíduo, composto pelo seu caráter e personalidade é facilmente substituído pela beleza perecível, passageira, aquela que inevitavelmente se desgasta com a ação do tempo.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

E os tucanos apelam novamente





Na reta final de campanha deste primeiro turno o que se viu foi uma onda de boatos incidindo sobre a candidata petista Dilma Roussef, fato esse que contrariou drasticamente os indicadores que antecediam a contagem dos votos. Por meio de panfletos, acusações verbais e informações virulentas na internet a coordenação da campanha do tucano José Serra conseguiu tirar votos de Dilma, conduzindo a disputa para o segundo turno. Com a notável queda de rendimento apontada pelos institutos de pesquisa, a candidata petista demonstrava insegurança para lidar com os torpedos que surgiam de todos os lados, especialmente nos debates que antecederam o 03 de outubro. Uma postura nervosa, fala trêmula e a flagrante falta de argumento (no que tange às acusações acerca da legalização do aborto e até sobre sua religiosidade) foram cruciais para a derrocada e a surpreendente migração de votos para a candidata Marina Silva.

Difícil entender como um partido governista pôde permitir a proliferação de toda essa boataria sem pensar ao menos numa estratégia de defesa. Ora, o tucano José Serra compactuava da mesma opinião de Dilma quando foi Ministro da Saúde. Naquela ocasião, chegou a afirmar que o aborto era uma questão de cunho social e que deveria receber atenção especial das políticas de saúde pública. Não se trata de criminalização ou legalização. Vai muito além disso. Ou será que os cidadãos acham correto negar atendimento a uma mulher que dá entrada na emergência para corrigir um procedimento abortivo? Bastava colocar tal fato em evidência, mostrar o outro lado da discussão. E o que dizer sobre as afirmações de uma ex-aluna de Mônica Serra, que chegou a classificar a petista como “assassina de criancinhas”, afirmando que ela mesma já havia lhe confidenciado uma experiência abortiva? Falso moralismo não?

Somado a isso, tivemos ainda o “episódio Erenice Guerra”. Curioso como essas BOMBAS só explodem em períodos eleitorais. Todo mundo se beneficia, mas se necessário e conveniente for, o que antes era tido como prática costumeira em todas as esferas passa a se chamar de tráfico de influência e espionagem.

Outro fator preponderante para a queda de rendimento de Dilma foi a utilização de determinados setores das igrejas católicas e evangélicas para manipular a opinião dos milhares de “fiéis” espalhados por todo o país. Só que nesse ponto prefiro registrar uma estatística da Pesquisa Nacional do Aborto, feita pela Universidade de Brasília, apontando que a maioria dos abortos foi feito por católicas, seguidas de protestantes e evangélicas, e, finalmente, de mulheres de outras religiões ou sem religião.

Pra frente Brasil! O segundo turno é logo ali.

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