* O valor intrínseco do indivíduo, composto pelo seu caráter e personalidade é facilmente substituído pela beleza perecível, passageira, aquela que inevitavelmente se desgasta com a ação do tempo.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Enterro de Kadhafi abre caminho para uma nova batalha

Levante popular triunfa na Líbia

O último capítulo da tirania do ditador Muammar Kadhafi foi assinado hoje. O ex- Chefe de Estado líbio foi capturado e morto na semana passada e enterrado em local secreto em meio ao deserto do seu país. Mesmo com toda a riqueza adquirida de forma sombria ao longo dos 42 anos que ficou no poder informações dão conta de que ele estava escondido numa tubulação de esgoto da sua cidade natal, Sirte.

O líder deposto havia fugido de Trípoli desde que as forças do governo interino assumiram o controle da capital. Na verdade, antes mesmo de tomar o QG do ditador, a revolta civil no país já havia controlado outras cidades menores de forma estratégica até partir para o enfrentamento final. Foram meses de terror com muito derramamento de sangue, bombardeios das forças de coalizão e um balanço de aproximadamente oito mil mortos.

Mesmo com os efeitos colaterais assustadores a população local comemorava a cada avanço dos combatentes. Assim como ocorreu na Tunísia e no Egito, os manifestantes lutaram por um país livre, democrático e que passasse a respeitar as convenções primordiais dos direitos humanos. Algo que passou distante do “modus operandi” de Kadhafi e sua trupe, isso sem falar da corrupção latente em todos os setores do governo.

A morte do tirano pôs fim à parte trágica e mais dolorosa da história dos libaneses. Mas a verdadeira batalha começa agora, a batalha pela reconstrução do país. Apesar da euforia no território líbio e de parte da imprensa internacional é preciso salientar que os processos de transição costumam levar anos, às vezes décadas e não em poucas oportunidades sequer acontecem. Tivemos exemplos claros dessa realidade em uma dezena de países africanos e mais recentemente com o Iraque e o Afeganistão. Saddam Russein e Osama Bin Laden deixaram o poder, mas nem por isso essas nações entraram de forma definitiva na rota do progresso. Aliás, ainda hoje, estão muito distantes disso.

Estamos falando de uma transição brusca; da tirania e do controle ferrenho para um sonho de liberdade e igualdade de direitos para todos os cidadãos. São dois extremos, infinitamente distintos, o que nos leva a crer que a verdadeira batalha ainda está por vir.

Um comentário:

  1. Pois é.
    Já tem até piada: "Encontratam o Osama e agora o Kadhafi. Pode aparecer Eliza Samudio, você venceu!".

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