* O valor intrínseco do indivíduo, composto pelo seu caráter e personalidade é facilmente substituído pela beleza perecível, passageira, aquela que inevitavelmente se desgasta com a ação do tempo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Aborto. Reprimir ou legalizar?



Na última corrida presidencial o tema aborto foi alçado a papel de destaque pelos candidatos. Muito se questionou acerca da descriminalização da prática no país, mas não avançamos muito nesse sentido. A discussão serviu apenas para apimentar os embates porque as estatísticas de mortes provocadas pelos procedimentos clandestinos não param de crescer. Uma temeridade!

No centro da polêmica está a Igreja Católica e os seus dogmas religiosos. O Brasil é a pátria com o maior contingente de católicos do mundo e tanto a população quanto as autoridades públicas tomam esses dogmas como norte para se posicionar sobre o debate. Recentemente, o Papa Bento XVI voltou a afirmar que é contrário à descriminalização ignorando a liberdade de consciência propagada pela entidade que dirige e um sem número de vidas ceifadas em consultório ilegais.


Em contrapartida os religiosos conservadores acreditam que se a lei de descriminalização for aprovada haverá uma corrida desenfreada de mulheres para os hospitais, uma espécie de “indústria da morte” bancada pelo Estado e com total anuência da igreja. Daí se explica o posicionamento contrário.


O problema é que mesmo sem a existência de uma lei específica milhões de mulheres brasileiras perdem suas vidas ao adotar a prática pelas vias da clandestinidade. Independentemente da questão religiosa devemos priorizar a educação sexual, os métodos contraceptivos e a preservação da vida, que é, sem dúvida alguma, o maior expoente de toda a discussão. A propósito, a contracepção também é duramente criticada pela Igreja.

Penso que vivemos um retrocesso dos direitos conquistados pelas mulheres ao longo dos séculos. Temos de levar em consideração situações extremas de gravidez indesejada, como o estupro, por exemplo. Quem se posicionaria contra o aborto se tivesse um parente próximo vítima de tal agressão? A hipocrisia não pode servir como plano de fundo, mas reconheço que também não tenho uma opinião sólida e definida a respeito. Prefiro ficar com os defensores da educação sexual e dos métodos contraceptivos em “condições normais” de gravidez, mas sou terminantemente contrário à repressão nos casos de violência sexual.

2 comentários:

  1. Como diz a charge: "Aborto não é assunto de papa nem de polícia". O "x" da questão é a consciência de cada um. Não concordo com esse tipo de atitude afinal, são vidas que estão em rico. A falta de responsabilidade de alguns não pode interferir no direito de viver de outros.
    A Igreja católica, desde à antiguidade procura "meter o dedo" em temas polêmicos como este. Se ao menos pudesse resolver alguma coisa...mas criticar atitudes e comportamentos dos outros vai contra o que os chamados católicos pregam, segundo à bíblia:"Não julgue para não ser julgado".
    Para "concordar" com o aborto só em caso extremo, mas por falta de responsabilidade, de prevenção e de demais cuidados, fora de cogitação!

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